quarta-feira, 11 de junho de 2008

Jovem com paralisia cerebral recebe carteira da OAB


Na noite desta quinta-feira (29), 45 bacharéis em direito fizeram o juramento profissional em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Mas um deles, com mais empenho. Flávia Cristiane Fuga e Silva, de 26 anos, com paralisia cerebral, recebeu sua carteira de advogada, após cinco anos de faculdade e três exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A jovem praticamente não fala e se locomove com o auxílio de uma cadeira de rodas. Em parte do juramento, foi auxiliada pela mãe para levantar seu braço. Persistente, a moça escapou da mãe, levantou a mão e, como tantos colegas, prometeu defender a advocacia com dignidade, com ética e lutar pelos direitos humanos e pela justiça social. Perguntada se estava contente, Flávia se agitava, sorria e deixava que os olhos falassem sobre o momento. Sua mãe, a assistente social Maria do Carmo Fuga e Silva, traduziu o sentimento que compartilhava com a filha: “Hoje é o dia mais feliz da minha vida”, disse orgulhosa. Ao pai, o advogado, Eliezer Gomes da Silva, coube a tarefa de entregar o documento que permite à filha advogar em todo o país. Junto da carteira, ele repassou um pequeno livro de capa vermelha com os estatutos dos advogados. Para conseguir passar no temido exame da OAB, Flávia se preparou em cursinho, após a graduação concluída na Universidade do Vale do Paraíba (Univap) em 2005. Tentou duas vezes até a conquista. A prova, com duas fases e cinco horas de duração em cada uma delas, teve o período ampliado para Flávia. Sem o aumento do tempo seria quase impossível para a jovem escrever a peça profissional – uma simulação de um processo real – da última fase da avaliação. Ela teve direito a oito horas de prova muito bem utilizadas. A mãe a acompanhou: “Nem ir ao banheiro ela quis”, conta. No exame 133, realizado em agosto de 2007, 84,1% dos 17.871 candidatos foram reprovados. Essa foi a prova em que a moça garantiu o passaporte de advogada. Suas respostas para as questões foram coletadas com auxílio de um teclado virtual, com o qual Flávia forma com a mão esquerda as palavras letra a letra.


Segundo o presidente da OAB em São José dos Campos, Luiz Carlos Pêgas, a aprovação de Flávia foi um marco: “A Ordem em São Paulo sempre defendeu os deficientes, mas não tinha advogados com paralisia cerebral. A Flávia não tem fala, mas tem um raciocínio muito legal. Atua com o pai, o que vai ajudar nas dificuldades”, afirmou. E não é só com o pai que Flávia vai trabalhar. Sua vaga na Comissão de Direitos das Pessoas com Deficiência já está garantida.

Flávia

Vibrei muito com a notícia.
Quero te desejar muito sucesso. Trabalho com PC´s há muito tempo, imagino as dificuldades, preconceitos e problemas com aceitação que tenhas passado. Apesar de tudo conseguistes mostrar a todos tua capacidade. Parabéns aos teus pais que acreditaram no teu potencial desde cedo.

Muitas felicidades na nova carreira e que consigas fazer com que outros PC´s também tenham acesso a um diploma.
Fonte: Globo.com

2 comentários:

karen disse...

Olá, visitei o seu blog e achei muito interessante.Gostaria de saber se poderia me enviar mais informações, sou professora e tenho um aluno com paralisia cerebral e gostaria de me informar mais.

bartira disse...

Olá Flávia meu nome é Bartira e tenho uma filha de 6 anos com PC, é exemplos como seu, e a força de vontade e a alegria de viver da minha filha que me fazem acreditar que tudo é possivel àquele que crê, parabéms e nunca desista!!!