quarta-feira, 8 de julho de 2009

Células-Tronco



Tratamento polêmico melhora vida de Clara a primeira brasileira a usar células-tronco para melhorar da paralisia cerebral começa a dar sinais de avanço depois de tratamento iniciado na China custeado graças a uma campanha pela internet Mirella Marquesmirellamarques.pe@diariosassociados.com.br

Comer, sentar, ensaiar os primeiros passos e palavras. Atividades "normais" aos filhos, poderiam pensar os pais de crianças com até um ano de idade. Para os pais de Clarinha, no entanto, encher o pratinho da filha com feijão e arroz é um sinal de vitória. Assim como a possibilidade de deixá-la numa cadeira adaptada ou poder carregá-la no braço sem que o pescoço da pequena se curve com o peso da cabeça. Poder segurá-la pelos braços e sentir que os pés já arriscam passadas firmes é uma alegria imensa para o casal. A menina em questão é a 1ª brasileira a utilizar células-tronco para melhorar da paralisia cerebral, causada por falta de oxigenação durante o parto. O tratamento, feito na China, ainda é polêmico no país. Questionam-se os benefícios e, principalmente, os métodos de retirada dessas células (que podem ser pegas do cordão umbilical ou de fetos abortados). Os médicos de Clarinha decidiram pela primeira opção. Mas, se depender dos resultados obtidos pela pernambucana, não restam dúvidas de que a inovação médica tem o poder de renovar esperanças. Com um ano e nove meses, Clara renasceu.

A viagem

Clarinha foi à China com seus pais, Carlos Edmar e Aline Pereira, após uma campanha que durou seis meses e arrecadou U$ 40 mil. Dinheiro suficiente para bancar os custos com o tratamento e a viagem ao outro lado do planeta. Através do site www.umrealporumsonho.com.br, o pai conseguiu mobilizar amigos e desconhecidos. Entre eles, jogadores de futebol do Náutico e do Santa Cruz, que fizeram uma partida beneficente em prol da menina. A luta incansável de Edmar para garantir uma vida "normal" à filha única foi capa do Diario, em 20 de setembro do ano passado. Pai, mãe e filha chegaram à cidade de Cantão, no Sul da China, em 11 de abril. Ficaram por lá até 12 de maio. Chegaram ao Recife no final do mesmo mês.

O tratamento

A pernambucana passou por seis aplicações de células-tronco. Duas de forma intravenosa (através de soro) e quatro por injeções na coluna vertebral. Nos casos de paralisia cerebral, como o dela, a indicação é de quatro a oito aplicações, no máximo. Segundo os médicos, o tempo em que as células injetadas chegam ao cérebro para se transformarem em neurônios pode variar de três a seis meses. As melhoras físicas da menina, no entanto, começaram a ser percebidas a partir da segunda aplicação. Não há como prever até que ponto se dará a evolução.

Cardápio

Ainda na China, ela começou a substituir as refeições pastosas, batidas em uma espécie de liquidificador portátil trazido pelos pais do Brasil, por alimentos sólidos. Prova de que os músculos já permitiam a deglutição. Muitos portadores de paralisia se alimentam com comida pastosa por toda a vida. A vitória foi comemorada pelos pais e pelas enfermeiras chinesas. Durante o tempo em que ficou no hospital, a pequena tornou-se "xodó" da equipe médica. Para mimar Clarinha, elas traziam arroz e outras comidas típicas asiáticas. Mas os pratos preferidos da menina são batata frita, hambúrguer e macarrão à bolonhesa. Sem falar no feijão com arroz, especialidade da mãe. Ela já engordou um quilo. Além das mudanças na alimentação, ela também mudou a dicção. Antes falava apenas vogais. Hoje não para de gritar sílabas como "pá" e "abu".

Brincadeira do "toca aqui"

Apesar da paralisia cerebral, Clara tem a inteligência intacta. Seu comprometimento atinge só a área motora. O controle dos músculos é interrompido por movimentos involuntários. A postura, por sua vez, também é prejudicada. Foi durante uma corriqueira brincadeira familiar, já no Brasil, que os pais perceberam a evolução da filha. "Sempre dizia a ela, 'toca aqui, filha'. Para fazer isso, Clarinha mexia todo o corpo e gastava muita energia", explicou Carlos Edmar. Antes da entrevista, é a própria menina quem mostra o quanto mudou. Cumprimenta repórter e fotógrafa com um suave toque de mão. Há nove meses e com um ano de idade, ela tinha coordenação motora de um bebê de apenas três meses. Depois do tratamento na China, a coluna da menina também ficou mais ereta.Pela primeira vez na vida Clara consegue sentar.

O renascimento

Aliada às aplicações de células-tronco, os pais também testaram uma nova fisioterapia, chamada medek. As sessões ocorreram numa clínica em São Paulo. Os exercícios dão ênfase à independência da criança. O método ainda não chegou ao estado. E os pais planejam voltar à capital paulista para um novo período de fisioterapia. Há duas semanas, Clarinha ensaiou seus primeiros passinhos. Amparada pelo pai, pôs pé ante pé na sala de casa, um apartamento localizado no bairro da Estância, no Recife. "Se fosse preciso, faria tudo de novo. Campanha, viagem. É impressionante o quanto ela melhorou. Não sei se Clara vai conseguir andar, mas quero que minha filha tenha a vida mais normal possível", desabafou o pai. Os pequenos passos rumo ao futuro causam emoções sem palavras. http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/07/05/urbana8_0.asp


Fonte:
InfoAtivo DefNet - nº 4264 - Ano 13 - JULHO de 2009
Editor Responsável - Dr. Jorge Márcio Pereira de Andrade (CREMESP 103282)
WWW.DEFNET.ORG.BR
RETRANSMITE E SOLICITA DIFUSÃO NA INTERNET - CAMPINAS, SP - 07/07/09

Um comentário:

Júnior disse...

As Células tronco são e por um bom tempo serão ainda tidas como algo meio q fora da realidade,mas eu acredito que elas são a solução para muitos casos de doenças ditas pela medicina como incuráveis,acho que as células tronco devem ser tratadas com todo o respeito e serem analisadas para que no futuro possamos salvar as pessoas de doenças "sem cura"