quarta-feira, 2 de junho de 2010

Acessibilidade digital

Saiu outro artigo meu e da Patrícia Bassani - no jornal Estado de Direito http://www.estadodedireito.com.br/edicoes/ED_25.pdf

Patrícia B. Scherer Bassani* e Regina de Oliveira Heidrich**

A Internet constitui um espaço de aprendizagem, interação e comunicação. Inicialmente utilizada para a disponibilização de informações por meio de páginas/sites, a Internet hoje se caracteriza pela possibilidade de participação e intervenção dos sujeitos, por meio de serviços de troca de mensagens, bate-papo online, envolvimento em redes sociais e comunidades virtuais. Assim, se por um lado esta “arquitetura da participação” possibilita o envolvimento dos sujeitos em um espaço social de comunicação e de trabalho em grupo, por outro lado coloca em pauta a discussão sobre as possibilidades de utilização destes recursos por pessoas com diferentes necessidades, sejam elas físicas e/ou cognitivas, transitórias ou permanentes.
Conforme o censo demográfi co realizado em 2000, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 24,6 milhões de pessoas, ou 14,5% da população total, apresentaram algum tipo de incapacidade ou defi ciência (física, auditiva, visual, mental ou defi ciências múltiplas).
Entende-se, que o acesso às tecnologias da informação e comunicação, especialmente a Internet, é importante para a inclusão digital e social de pessoas com defi ciências, pois permitem que estes sujeitos tenham a oportunidade de participar desta sociedade conectada e em rede, envolvendo-se em práticas sociais significativas.
Diferentes iniciativas vêm sendo realizadas, tanto na esfera pública quanto privada, a fim de possibilitar o acesso e a participação de pessoas com deficiência à Internet e seus diferentes serviços. A acessibilidade digital, ou acessibilidade na Web, significa possibilitar o acesso a sites e serviços/ambientes da Internet a qualquer pessoa, independente da diversidade de públicos, além de ser compatível com tecnologias assistivas usadas por pessoas com defi ciência.
Iniciativas governamentais envolvem a disponibilização de recursos de acessibilidade nas páginas e sites vinculados ao Governo Eletrônico. O Decreto lei 5296 de 2 de dezembro de 2004, também chamado “Lei da Acessibilidade”, prevê a obrigatoriedade da acessibilidade nos portais e sites da administração pública na Internet, para o uso das pessoas portadoras de defi ciência visual, garantindo-lhes o pleno acesso às informações disponíveis. Além disso, também se pode observar que sites de diferentes empresas e universidades disponibilizam recursos de acessibilidade digital, especialmente no que se refere a alteração do tamanho da fonte, legenda nas fi guras, navegação por meio do teclado e adaptação para o adequado funcionamento dos software para leitura de tela, amplamente utilizados por sujeitos cegos para uso do computador e acesso à paginas da Internet.
Existem diversas normatizações para balizar o desenvolvimento de sites acessíveis, como os conceitos de Design Universal e as recomendações da W3C (World Wide Web Consortium). O Design Universal (Universal Design), também conhecido como Design para Todos, orienta o design de produtos e de ambientes, de forma que estes possam ser utilizados pela maioria das pessoas, sem a necessidade de adaptação ou projeto especializado. As atividades do W3C envolvem o desenvolvimento de protocolos e referências para a Internet, incluindo diretivas para a acessibilidade do conteúdo da Web.
Entretanto, apesar dos esforços na disseminação de uma cultura de inclusão, nem todos os sites são desenvolvidos com base nesses conceitos, criando diferentes tipos de barreiras para o acesso de diferentes sujeitos. Por exemplo, as páginas da Internet caracterizam-se essencialmente por textos.
Se for utilizada alguma outra mídia, como imagens e sons, as informações que elas contêm devem ser repetidas numa descrição textual. Essa descrição deve transmitir as mesmas informações que os elementos disponibilizados, de forma a benefi ciar pessoas cegas ou surdas. Animações desenvolvidas em Flash tornam as páginas atraentes, mas impossibilitam o acesso a usuários de leitores de tela.
O grande desafi o para o futuro será a normatização de padrões acessíveis. Nesta perspectiva, os desenvolvedores de sites plenamente navegáveis proporcionarão a queda da barreira de comunicação por pessoas com baixa visão, cegas, idosas, com problemas de coordenação motora, mobilidade, etc. Diversas pesquisas acadêmicas já vêm sendo realizadas na área de acessibilidade a ambientes de Internet, buscando oportunizar o acesso de pessoas com defi ciência e/ou necessidades especiais, permitindo que estas possam perceber, entender, navegar e interagir de uma maneira efetiva na Web, proporcionando uma efetiva qualidade de vida a estes sujeitos.

* Doutora em Informática na Educação; vice-coordenadora e professora do Mestrado Profissional em Inclusão Social e
Acessibilidade do Centro Universitário Feevale.
** Doutora em Informática na Educação; professora do Mestrado Profissional
em Inclusão Social e Acessibilidade do Centro Universitário
Feevale.

2 comentários:

Eni disse...

Olá!

Parabéns pelo trabalho lindo que vocês realizam. Acompanho e curto muito.

Sucesso!!!

RENATA GABRIELA disse...

Este trabalho é muito interessante, pois possibilita as pessoas que tem alguma deficiência a se comunicar, o que proporciona grande aprendizado, tanto para a pessoa, quanto para as pessoas que estão envolvidas neste contexto.